Ideias do Teto de Amelu


Seguidora presencial: Amelu Nunes

Fui aluna da Clara em 2008, numa oficina em Joinville – SC. Posso dizer que foi amor a primeira aula. Conheci alguém que entendia o que eu pensava a respeito da dança, a busca que eu fazia dentro dos meus movimentos, a vontade que eu tinha de me torcer.
Mesmo sem sabermos uma da existência da outra, senti que estávamos ligadas por essas idéias. Me encantei muito e, claro, virei fã de Clara Trigo.
No dia 13/04 a Sua Cia esteve em Ponta Grossa – PR, cidade onde nasci, cresci e moro. Eu, logicamente, fui assistir ao espetáculo. O encantamento foi maior ainda, o espetáculo me fez sentir necessidade de me mexer, de pensar, de refletir... Percebi que era hora de fazer um “retiro espiritual”. Na, verdade, quem percebeu isso em mim foi meu namorado, Vinícius.
Diante do meu deslumbramento ele me disse: “Por que você não pede pra ir junto?”. Então, quando chegamos em casa, fui correndo até o computador e pedi:

Em 13/04/2010, às 22:47, Melu Ísque escreveu:

Oi Clara, é a Amelu, lembra? Fiz curso contigo em Joinville e fui te ver em Ponta Grossa hoje.
Bom, to mandando este e-mail pra pedir sua autorização e das meninas do grupo, para eu ir viajar com vc pras próximas cidades do PR (Cornelio Procópio e Jacarezinho) , sem depender do sesc, claro.
Só quero acompanhar vcs nas viagens e oficinas e estudar um pouco mais com a cia, porque pra mim é bem importante esse aprendizado.
Conheço o pessoal da cultura do Sesc daqui de Ponta Grossa e quero falar com eles ainda, mas preferi pedir sua autorização primeiro né hehe
Posso ajudar de alguma forma no espetáculo ou nas oficinas também, se quiserem.
Se tiverem um lugarzinho pra mim na van eu vou agradecer muuuuito!!!

Um beijão, espero resposta.

Amelu.

E Clara prontamente respondeu:


Oi Amelu,
claro que lembro de vc e sei quem vc é, não precisa mais se apresentar, viu?
Soube ainda que Américo é seu pai e conheci sua mãe também! que lindos eles são! Seu pai é incrivelmente bem humorado.
A sua ideia é fantástica e muito corajosa. Acho que essa é a melhor maneira de aprender. Só que está bem tarde e não dá pra decidir isso pra amanhã, porque não posso decidir isso sozinha. Estou copiando as outras meninas no email e vou conversar com elas amanhã, tá?
Também tenho dúvidas se caberia na van, porque estamos carregando muuuuita bagagem e os lugares ficaram reduzidos, mas acho que apertando um pouquinho dá.
De qualquer jeito a nossa próxima viagem (amanhã de manhã) é para Santo Antonio da Platina, então, se tudo der certo, vc teria que encontrar com a gente lá para irmos pra Cornélio e Jacarezinho. Vc iria pra lá?
A propósito, seus pais estão sabendo disso?
Não sei se vou ter acesso à internet amanhã, então qualquer novidade a gente vai falando por telefone, certo? anote os meus abaixo.

Beijão!
Clara.


Nos falamos mais algumas vezes por telefone e aos 55 minutos do dia 18/04 eu parti de Ponta Grossa rumo a cidade Jacarezinho, sem certeza de nada.





“Clara, cheguei. Estou no quarto 260, quando sair me avise.” (Bilhete que deixei por baixo da porta do quarto da Clara)
Era previsto que eu chegasse quase às 8 da manhã, mas cheguei 5h30, me bateu um desespero porque eu nunca tinha viajado sozinha assim. Mas deu tudo certo, consegui chegar ao hotel onde as meninas estavam. Nesse dia acho que dormi meia hora porque queria estar a par de tudo e às 8h fui ajudar na montagem do espetáculo no teatro de Jacarezinho e lá fiquei até o fim da apresentação – com pausas para me alimentar, lógico.
O espetáculo foi, mais uma vez, lindo. Tirei fotos do ensaio e filmei a apresentação e o bate-papo. Todo o mundo quer saber se é possível viver de dança, em todas as cidades alguém pergunta isso!
No dia seguinte rolou uma oficina maravilhosa, os alunos da APAE de Jacarezinho estavam lá e foi surpreendente a interação entre todos. Tinha muita, muita gente, todos muito felizes com as descobertas que faziam a cada exercício, que aconteciam como brincadeiras. Das oficinas que participei, essa foi, de longe, a mais bonita.

“As Terras de Papai”
Achei Cornélio Procópio uma cidadezinha linda de viver. As árvores dão um “tchan” na paisagem e elas estão por todo lado. Me diverti bastante lá, conhecemos o SESC que é uma casa poderosa de linda, tiramos muitas fotos nas “terras de papai”, só o teatro (que na verdade era um auditório) que deixou muito a desejar e a caixa teve que ficar pra fora. 













Fiquei super curiosa pra ver como seria essa apresentação, mas eu teria que ir embora no dia da oficina.
Fiz e refiz minhas contas do pouco dinheiro que eu tinha e dava certinho para ficar mais um dia, mais o dia do espetáculo. Fiquei muito feliz!!!
Muitas pessoas tinham se inscrito para a oficina em Cornélio, então a Clara fez uma oficina de manhã e outra à tarde. Metade das pessoas que haviam se inscrito foram. A primeira oficina foi muito divertida, um público inimaginável: estudantes de engenharia e de mecânica, que faziam dança de salão. A tarde me pareceu que o pessoal não entendeu muito ou que estavam esperando algo completamente diferente, não sei por que, a coisa não fluiu direito. O legal foi que duas meninas que estavam na oficina da manhã gostaram tanto que foram na da tarde também.

“O melhor de mim/ Sou Eles”
A montagem do espetáculo foi tranquila, apesar de ter atrasado um pouquinho, o que acabou atrasando também o espetáculo.
Ia ficando tarde, a noite ia chegando e uma tristeza começou a bater. Dali a pouco eu teria que voltar pra casa.
O espetáculo acontecendo e me fazendo perceber o quão importante ele é em minha história. O quanto aquelas pessoas que estavam no palco me fizeram crescer.
Como um filme, cada cena me fazia lembrar algum momento muito bom que passei nesses 5 dias. Das risadas que demos todas juntas, das coisas engraçadas que a Catarina contava, as dicas e incentivos da Carol “vai fazer oficina em tal lugar, conheça fulano, veja tal coisa, viaje!”, os ensinamentos da Clara, as conversas nada sérias com a Natália. Tudo que valeu tanto, cada segundo precioso, cada momento e cada uma é um recorte montado e colado em mim.
Fiquei confusa e chorei, chorei, chorei. Parecia que voltar pra casa seria como perder uma perna, mas ao mesmo tempo em que perdia essa perna, ganhava um corpo inteiro novinho, cheio de coisas boas.
Acho que Deus é muito bom em colocar Clara, Carol, Catarina e Natália em meu caminho e permitir que elas não estivessem só de passagem por ali, permitir que eu pudesse ter contato com elas.
Voltei para casa com imensa vontade de me movimentar, me esticar e encolher, me retorcer... dançar.

por Amelu Nunes
Essa página é nosso orgulho, nosso tesouro nessa circulação.

por Clara F. Trigo.

6 comentários:

Clara F. Trigo disse...

Amelu,
Seu depoimento me emocionou muuuuuuiiiito!!!!! eu e Catarina ficamos com lágrimas nos olhos, entendendo porque tudo vale a pena.
Estou muito feliz com a sua presença - que continua como uma presença mesmo - e com todas as conexões criativas que nós ainda vamos fazer.
Um beijo bem grande e até breve!
P.S:
seu bilhetinho, que encontrei no chão do quarto, no pé da porta, está na minha bolsa até agora.

lucelia disse...

quero dizer que também me emocionei com as palavras da Amelu. Como no dia em que ela estava dentro da minha barriga e me obrigava a ficar em pé porque ficava sapateando dentro de uma bolsa...e quando bateu palmas na hora em que o médico do ultrasson disse: é uma menina!!
Que menina essa Amelu bailarina!

Melu Ísque disse...

Estou anciosissima por nossas conexões, tanto as criativas quanto as fúteis hahaha
sinto saudades de tudo isso que escrevi, de tudo o que vivi com vcs!!! felicidade ao extremo por essa vivencia!
beijão!!!

Isa disse...

Nooosssaaaaa!!!!!!! que coisa mais maravilhosa, essa da Amelu! Pois está automaticamente convidada a ficar na minha casa, em Salvador, quando quiser, se quiser ficar mais perto de Clarinha... Minha casa é uma espécie de "residencia artistica", já que por aqui passaram muitas pessoas e artistas, e por aqui passaram também muitos ensaios de espetáculos - meus e de Clarinha, e de outras pessoas tb... pronto, Amelu... parabéns por sua coragem.

Isa Trigo, mãe de Clara e de Beloca.

Melu Ísque disse...

Aaaaaaaaaaaaahhhh agora ninguém me segura!!! Fui convidada pela principal responsável de tudo isso hahaha
Isa, eu vou sim! Pode me esperar que não demora e apareço por aí!
Muitissimo obrigada pelo convite, fiquei muito, muito feliz com suas palavras!!! =D

BANDO DA LEITURA disse...

Querida Isa, sim eu deixo!